VÍRUS NO SER
A verdade adverte
Mentir causa o câncer da visão
Ensurdece o coração
E provoca estupidez
A verdade adverte
Mentir é intensificar a dor
É permanecer na angústia
De uma infindável busca
Que o fundo falso
Insiste em externar
Para talvez aliviar
Fazer suportar — jamais encontrar
A verdade adverte
Mentir é fraudar - o AMOR
E em apelo contra a fome do ter
De seus maus tratos e disfarces
Que fazem o ódio por vezes escondido
Em apelo contra o furto dos direitos
Que a ignorância faz assaltar a VIDA
A verdade adverte
Mentir é só conjugar o verbo matar
Na conjugação de todos os tempos
Onde champanhes brindam
Em requintados estratagemas
Suas — nossas próprias calúnias
Para que elas
As tais balas — não tão perdidas assim
Como fogos de artifícios
Ressoem no ar
E em nós mesmos se façam alojar
A verdade indaga
O que significa a nossa verdade
Que não se entrelaça à dignidade
Em vias de fato para curar
E a vida
Com os olhos rasos d'água
Não para de soluçar
Por todos os ardis
Que a tentam camuflar
Quimeras — que o olhar
Desviamos para negar
NÃO!
Não dá mais para enganar
Porque nessa ilógica
A lógica é da morte
Do movimento salutar
Que se faria perpetuar
O SER luz
O ar limpo
A criança livre
E a Paz concretizar
Se não fossem os
NÓS
Cegos em punho dentro do peito
Como dedos em riste a apontar
E se a raiz da inverdade plantaaada
Fosse por nós de fato decepada
Pela simples coragem
De a nós mesmos enxergar — e acreditar
Ah!... Verdade! Verdade!
ADENTRE!
Essa hipócrita civilidade!
Quando escrevi a poesia acima, eu e o professor de educação física João Woehl, já havíamos terminado um trabalho de dez anos em escolas com teatro e oficina e aplicado, um outro similar, no bairro onde morávamos com a criação de um grupo de crianças e adultos, onde, eu em particular, fiz
dessa ação uma espécie de "trabalho de campo” para minhas pesquisas independentes e pude observar e constatar o que escrevo abaixo.
Algumas pessoas talvez possam considerar
chavão os ditos populares. Em alguns casos até eu concordo, mas em outros, vejo
que podem ser aquela voz que vem de dentro de nosso inconsciente coletivo como,
por exemplo, "o pior cego é aquele que não quer ver", assim como
"o pior doente é aquele que acha que não está doente", embora seus
sintomas sejam nítidos.
Creio que estamos todos ou pelo
menos a maioria de nós, contaminados por uma espécie de vírus que causa
cegueira coletiva. Sabemos que muita coisa está errada, mas preferimos nos distrair
com quimeras para não tomarmos conhecimento de tais erros que são nossos, de
nossa espécie, a mesma que se considera tão superior.
Uma sociedade nada mais é do que o
reflexo da imagem dos indivíduos que a compõe, posto que sem o indivíduo não há
sociedade alguma. No entanto, percebo que sempre que nos referimos ao termo
"sociedade" a conotamos na terceira pessoa (ela - a sociedade), como
se não fôssemos nós a própria. Da mesma maneira que costumamos apontar nosso
dedo indicador para os outros sem percebermos que neste gesto, três apontam
para nós. É evidente que o caos que vem nos afligindo e nos desnorteando
atualmente é fruto de uma longa gestação, que foi fecundado por valores
ilusórios que ao final de seu tempo mostra-nos a verdadeira face do que temos
sido. Esse é o rebento que embalamos em nosso colo agora. É preciso que vejamos
isso com sinceridade.
Por outro lado, vêem-se espalhados
nos quatro cantos do mundo indivíduos isolados ou em grupos procurando exercer
suas sinceras ações para promover um mundo melhor, o que é nosso dever enquanto
"seres racionais" que somos. Dou-lhes graça por isso! Embora venham
aumentando gradativamente ainda são poucos os que realmente se interessam. Não
me refiro a estes indivíduos ou grupos neste artigo, óbvio.
Trago comigo uma filosofia
particular que procuro aplicar no meu dia a dia para sintonizar-me da melhor
maneira possível na tentativa de sair da armadilha que nos faz sucumbir ao caos
total no sentido comportamental: para mim, "certo é o que dá certo e errado
é o que dá errado" - essa é a única regra de que faço uso para comer,
beber, vestir-me, amar, relacionar-me e decidir minha vida. Não consigo
conceber a hipótese de um "certo dando errado" ou um "errado
dando certo". Exemplo: se um sistema é certo, seja ele político,
religioso, ou outro qualquer do setor social, tem que dar certo para todos não
podendo haver exceções. Caso contrário o sistema está falho, incorreto em algum
ponto e tem que ser reformulado. Se nossos valores estivessem corretos, penso que
não estaríamos vivendo todo esse caos e não estaríamos pondo em risco de
extinção o planeta e tudo nele contido, inclusive a nós mesmos. Isso é evidente
demais para ainda não ter sido assimilado. Por que insistimos em fechar os
olhos a este fato e ficamos neste "disse que me disse"?
Nossas mulheres e nossos homens comuns, os
da vida real, não percebem que tudo o que é lançado no mercado para consumo,
pode estar voltado para o "bel" prazer de um capitalismo, ainda por
cima machista, que não se enxerga e que não valoriza a continuidade da vida
energeticamente como ela é. Somos aconselhados a não nos medicarmos por nossa
própria conta, mas os reclames de medicamentos tentam a todo custo também nos
seduzir sem orientação profissional. A sexualidade tornou-se mecânica voltada, unicamente para a aparência física e nós não somos
robôs.
Por que me refiro a isso? Como
pesquisadora independente e consequentemente observadora, percebo nossas
crianças não mais tão inocentes quanto outrora e nossos adolescentes encaminhando-se
para homens e mulheres precoces e desprovidos do sentimento do verdadeiro amor,
não pela própria natureza como alguns querem nos fazer acreditar mas sim, pelo
o que estar sendo transmitido indiscriminadamente mascarado de várias formas.
Estamos transformando nossos jovens em robôs de consumo. O sexo do jovem de
hoje não é mais "fazer amor", aliás, eles nem sabem o que isso
significa e sim, "dar um pega", porque é isto o que está sendo
vendido em linguagens dissimuladas e todo mundo cai sem questionar.
Em absoluto sou contra a beleza ou
em se adquirir o que necessitamos para uma vivência com certo conforto. Até é
saudável termos certa vaidade que nos mostra o quanto nos amamos. Sou contra a
manipulação para uma falsa beleza e um padrão de conduta ilusório que nos leva
a uma competição desvairada e por vezes sem o menor senso de humanismo.
Manipulação fabricada para fazer dinheiro e que só causa infortúnio para a
maioria do indivíduo comum, tanto para o feminino quanto para o masculino que,
não podendo estar a contento todo o tempo dessas imposições de mercado e que não
passam de mentiras, envolvem-se numa espécie de quase debilidade que acaba por gerar tanta violência. Conseqüência? Relacionamentos superficiais, traições para
auto afirmação do ego, sexualidade pervertida de sua verdadeira razão de ser,
desmoronamento da estrutura familiar, valores deturpados, competições
desmedidas, etc. Tudo com base numa concepção de comportamento mecânico. O amor
revertido em coisas e uma eterna necessidade de preenchimento do peito vazio
onde nada consegue suprir. Quantas angústias e depressões! Stress por todos os
lados. Armadilhas mil do corrosivo vírus da enganação da fábrica de dividendos
alheios. E nossos jovens sem a mínima idéia de onde seus barcos possam aportar
com segurança, sem a mínima idéia do significado do afeto e do verdadeiro amor.
Juntando a isso, mais e mais divulgação de crimes e violências de toda espécie
que está mais para um ode à desgraça para a política do medo do que informação
propriamente dita, disfarçando seus mais variados sentidos (...)
Pareço cruel? Ao que me refiro acima
é um detalhe dentre milhões de exemplos que poderiam ser citados de nossa ótica
míope da vida, resultado de jamais questionarmos o que nos é imposto em nosso
dia a dia. Exemplos e mais exemplos que insistimos em não ver. Detalhes
fantasiados. Todos têm plena consciência em seu íntimo de tudo isso, mas
insistimos em não ver, até nos esforçamos por fingir que seja diferente que tudo isto seja "normal".
Nessa
inércia e falta de vontade de olharmos com coragem para tais micros, médios e
macros detalhes que causam o caos, a verdade está nos advertindo todo o tempo,
a cada tragédia, catástrofe, a cada crime ou violência de qualquer tipo, a cada
dor. Pelo simples fato que mentir causa o câncer da visão, ensurdece o coração
e provoca toda essa estupidez que estamos fazendo e, as conseqüências tornam-se
cada vez mais evidentes. Paz, igualdade, felicidade, abundância, beleza,
alegria e prazer de viver, concretizam-se nas mudanças internas dos pequenos
detalhes despercebidos em nós mesmos e independe de leis, decretos externos ou
o quanto podemos ter para exibir um falso poder ou ainda, se estamos ou não "sexualmente" atrativos. Aliás, esta exigência de "ter que estar sexualmente atrativo" na visão e pelo mercado capitalista está tornando muita gente de qualquer idade obesa pelo mundo à fora.
Um ponto de interrogação que faz
parte de minha coleção particular me intriga muito: deixamos de cair no ardil
de que é da índole do "homo sapiens" (homem sábio) ser predador?
Acaso sábio combina com predador ou fomos, desde há muito, conduzidos por
mentes infectadas pelo vírus da razão mecânica do poder, que atua na introdução
de mentiras e mais mentiras no inconsciente coletivo para o controle de massa?
Vírus esse que se transmuta numa fração de segundo em atrações e recompensas
ilusórias de tão inteligente que é, para nos manter atrelados em seus desejos,
na inversão de termos e valores reais em função de seus próprios interesses nos
mais variados setores do contexto ao que chamamos "civilização"
humana.
Se continuarmos a mentir para nós
mesmos de que tudo está em ordem tipo: "a vida é assim mesmo", ou
ainda, "faz parte do progresso", é a "evolução dos tempos", faz parte da "idade tecnológica", quando muitos humildes e ignorantes estão esperando por um salvador qualquer
que venha nos tirar dessa trincheira que estamos construindo para sobreviver,
permaneceremos na violência da fome, na miséria emocional, que ultimamente vem
aderindo roupagens cada vez mais sofisticadas que se distanciam das soluções
reais, fazendo com que percamos assim, nossa verdadeira identidade humana para
vestirmos a carapuça de zumbis. Identidade humana originada pela Consciência da
Energia do Puro Amor para exercer o amor de forma criativa e igualitária. Nossa
espécie está se tornando tecnologicamente "avançada", mas sem a identidade
do SER. Que evolução é essa? Só se pretendemos evoluir para o derradeiro final
de tudo, causando nós mesmo, esse "final de tudo". Dessa maneira não haveria algo errado com a nomenclatura que nos define como "sapiens"?
Com base nessa minha filosofia particular
pergunto: Estamos dando certo? Deixamos de passar fome? Nossa alimentação é
pura, é natural sem conservantes químicos que nos adoecem mais enquanto deveria nos energizar de forma saudável? Temos segurança pelo fato da miséria ter sido exterminada e, não por se construir mais presídios ou colocar mais força de repressão nas
ruas? Paramos de poluir o ar, os rios e os mares, deixamos de destruir as matas
por reconhecermos que sem esses fatores não sobreviveremos? Deixamos de ser
corruptos e eleger políticos que são nossa imagem e semelhança, para após
chorarmos nossas próprias calúnias e vivermos reclamando da vida? Deixamos de sucumbir às armadilhas de um
marketing que nos lava o cérebro vinte e quatro horas de nossos preciosos dias,
com o intuito de catar cada centavo nosso, nos iludindo de que "tem que
ter cada vez mais para ser feliz"? Aprendemos a reconhecer o que é de fato
nosso e o que é imposto? Aprendemos a ser nós mesmos, ao invés de termos a cara
da maioria cega, sem medo de sermos rejeitados por ela? Pergunto ainda:
deixamos de endossar, com nossa atenção, notícias sobre crimes e violências por
reconhecermos que tais notícias são mais lucrativas por nossa própria culpa?
Compreendemos que são elas um dos fatores que mais causam angústias e que
aumentam nosso medo e, que sendo assim, estamos contribuindo cada vez mais para
o controle dos "manipuladores de tudo" através desses sentimentos
paralisantes? Por que não aumentamos nosso interesse para a propagação da arte
e da cultura (verdadeiramente arte e cultura, não o que estar sendo propagado no mercado de consumo e que não passa de manipulação) que nos apontam, com certeza, soluções mais viáveis para um mundo
melhor? Enfim, deixamos de ser a "massa assistente", hipnotizada
pelas ilusões lançadas em nossas próprias casas, dependentes, carente de
paternidade e de verdade? Deixamos de matar? Enfim, deixamos de ser fúteis, realmente já evoluímos como espécie? O que estamos entendendo por "EVOLUÇÃO"?
Além do exposto acima, esses mesmos
veículos de comunicação também lançam num bombardeio sem tréguas por todos os
lados, determinados padrões de conduta ilusória, fabricados com trilhões de
intenções de enriquecimento voltados para nos seduzir, homens e mulheres de
todas as idades, a consumirmos cada vez mais aquilo que é imposto e falso no
dia a dia comum - falso porque foge a naturalidade da energia da vida como, por
exemplo: feminilidade, masculinidade, sensualidade e beleza são padrões
energéticos que se refletem no físico, quando equilibrados emocionalmente de
dentro para fora fazendo par com atividades sadias e uma alimentação pura e
saudável como citei acima, o que no caso da alimentação se torna cada vez mais difícil pelos
conservantes, químicas, hormônios e outros venenos mais que nos obrigam a
ingerir. Nada tem haver com a beleza fabricada que nos fazem crer existir
através dos truques televisivos, cibernéticos e fotográficos, nem tampouco a
felicidade está nas aquisições de carros, geladeiras, condomínios de luxo,
roupas de grife, celular de última geração e etc.
Uma ínfima amostra do que cito acima
está nas propagandas de cosméticos e aquisições de coisas que nos gritam:
compra, compra e compra! Para ser feliz, para ser belo, para ter poder.
Quanto à beleza imposta, os modelos
contratados para nos seduzir são escolhidos "a dedo" e possuem em média
menos de vinte e cinco anos, mesmo que os produtos divulgados por eles ou elas
sejam direcionados para a faixa dos quarenta ou mais. Precisamos mesmo de tais
mentiras para ser: belo e feliz?
Assustam-nos com a ideia do
apocalipse, sem no entanto nos avisar que o "apocalipse" é toda essa
armadilha que foi criada e que consideramos a única realidade e que podemos
mudar tudo agora, se assim o desejarmos. Como não vemos isso? Adoecemos a esse
ponto? Porque considero que estamos gravemente doentes.
Minha fé diz que ainda temos um
jeito de resolver tais mentiras, conquanto nos apressemos a mudar tudo desde
dentro, com auto perdão sim, sem auto piedade. Precisamos parar de sentirmos
“pena” de nós mesmos.
Se continuarmos a camuflar as
gritantes contradições que todos sabemos existir, para insistirmos em tentar
esquecer através do fútil que nos assola por todos os lados, nossos jovens
continuarão a morrer das balas que não são em absoluto! – Perdidas -
Continuarão a morrer pela desnutrição do verdadeiro amor que lhes está sendo
negado. E os "subterfúgios" (armadilhas disfarçadas), continuarão a
transformar nossas vidas em suas prisões controladas, mesmo que sem paredes,
refiro-me aqui ao pior tipo das prisões: a que está dentro de nós mesmos. Quem
não sabe disso? E ainda poremos um fim no mais lindo e rico dos planetas.
Creio que devemos parar de falar em amor
para podermos parar de fraudá-lo e sim, sermos o amor simplesmente, exercê-lo.
Como? Questionando os atuais resultados dos falsos velhos valores, tentando
descobrir nossos próprios estratagemas, tentando ver-nos, ao invés de
colocarmos nosso dedo indicador apontados para outros, pessoas ou situações ou
qualquer outra coisa fora de nós. Repito: tudo está dentro, nada está fora.
Todo conhecimento a respeito de tudo e todas as coisas não está em lugar algum
que não seja em nós mesmos. É preciso questionar o que nos é imposto sobre
qualquer assunto antes de o tomarmos como sendo nosso, seja uma atitude, uma
compra, inclusive da nossa dignidade, pararmos de julgar o outro, etc.; isso
vale para todos os setores de nossas vidas, sob todos os pontos de vista e
aspecto de qualquer sexo, idade, etnia ou crença.
Vamos parar de passar as mãos em
nossas próprias cabeças. A paz tão sonhada e o planeta que desejamos englobam
milhares de detalhes que na maioria das vezes nos passam despercebidos.
Precisamos reconhecer humildemente que nesse nosso atual contexto estamos
falidos enquanto sociedade que até agora pensamos ser civilizada, e não é de
hoje. Precisamos parar de vender o amor e a beleza, a felicidade e o sexo como
coisas, precisamos nos conscientizar que a terra com toda a sua fauna e flora,
o ar, a água e nós, somos todos sagrados. O segredo das reais soluções está
incluso entre linhas de mais fácil acesso para aquele que deseja descruzar seus
braços.
Não vejo em particular, o amor nem
como sentimento, nem como emoção, mas como um estado de ser. Penso que a melhor
forma de expressá-lo verbalmente esteja na poesia porque o estado de ser do
amor é isso, é poético, é a linguagem que mais chega perto. Por isso falo
poeticamente. Fora isso, a outra maneira está na ação silenciosa, na sua
própria revolução interior dia após dia, voltado não somente para si, mas
também para seu semelhante. Deveria ser a mesma necessidade imprescindível para
nossa sobrevivência como o ato de beber água é para nosso organismo físico. E a
paz é o estado de saúde causado pelo equilíbrio da dose diária do amor,
respeito e dignidade com que nos alimentamos. Na ausência ou escassez disso,
dão-se as mais variadas doenças que se traduzem no que estamos vivendo hoje e
de todos os horrores que chegam a nossos lares nos adoecendo cada vez mais. O
amor e a paz são organismos vivos dentro de nosso organismo e pelo o que
percebo, por ganância, egoísmo, displicência, ou covardia, não estamos
permitindo que estes exerçam o direito à vida, causando nossa própria morte.
Falamos de paz, fazemos vários movimentos
sobre a paz e não conseguimos concretizá-la nem em nossa vida particular. Se
cada um de nós cultivá-la em si primeiramente, bebendo pelo menos uns dois
copos de amor, respeito e dignidade em doses diárias, revendo e sabendo
reconhecer valores contaminados e, num ato de coragem interno, mudarmos sem
medo de sermos ridículos, com certeza os tais movimentos pela paz passarão a
exercer maior influência de transformação do que conseguem atualmente.
Se ao invés de nos prostrarmos
defronte às telas televisivas e cibernéticas, fábricas de ilusões nocivas em
sua maioria enquanto não for mudada suas conotações (porque estes veículos poderiam mudar o mundo se assim o desejassem.), ou nos preocuparmos com o que dizem certas manchetes dos jornais,
ou ainda, a vida do vizinho, o carro do vizinho, a casa do vizinho, o vestido
da vizinha, o celular de última geração da amiga ou do amigo, se fulana ou
sicrana tem mais celulite do que eu ou fulana, se chorarmos e nos angustiarmos
pelos shoppings que não podemos entrar, o tênis de certa marca que não podemos
comprar, as bugigangas novas que as propagandas dizem que sem elas não seremos
felizes ou atraentes e etc., deveríamos olhar mais para dentro de nós, bem
dentro de nós, para percebermos que nossas crianças e jovens, nosso futuro, só
querem nossa atenção, nosso colo, brincar na terra conosco, tomar banho de rio
de águas limpas - nosso amor enfim (...) estaríamos bem mais seguros e em paz
com certeza.
Isto e mais algumas outras pequenas
coisas é tudo o que eles precisam como base para tornarem-se adultos mais
dignos do que conseguimos ser até agora. Deveríamos olhar e cuidar melhor de
nossa criança interior tão adormecida dentro do nosso peito, ela nos requisita
a liberdade em prol do futuro de nossa sociedade e de nosso planeta. Para
tanto, não se faz necessário tudo aquilo que nos dá uma falsa sensação de
segurança e poder em todos os sentidos, se estamos aparentemente perdidos, é
porque fazemos com que estejamos assim. Lembrem-se: nossas crianças e adolescentes
refletem o que somos; o que está acontecendo com eles hoje é o que estamos
sendo para eles. Dignidade, igualdade, humanidade, paz, amor, saúde,
conservação da natureza, felicidade, abundância e beleza, preenchem o peito
vazio verdadeiramente e são muito mais baratos do que todas estas ilusões que
nos impõem os que não querem que consertemos coisa alguma; por assim ser mais
facilmente de nos conduzir como seus fantoches "fabrica-dores" de
suas fortunas.
Vimos carregando um vírus em nosso ser
sutil e perigosamente transmissível. É onde fazemos o ódio que por vezes nem
sabemos que o estamos fazendo, porque está embutida até mesmo numa aparente boa
ação em que sua verdadeira intenção, a inconsciente, não é tão boa assim, pelos
enganos, pelas frustrações, culpas e mais culpas com que somos todos criados e
condicionados a cada hora, minuto e segundo de nossos dias e noites desde
tempos remotos com seus mais variados disfarces, por vezes, até de fé. Quiçá
este vírus a que me refiro não seja a tal da besta com que alguns líderes religiosos “tentam” nos
assustar? Se assim o for, ela já está no comando há muito tempo e estamos
alimentando-a com nossos próprios estratagemas sem nos darmos conta. Seu aliado
mais fiel pode esconder-se por detrás de nossas atitudes egóicas.
Mentimos insensatamente o tempo
todo para nós mesmos sem atinarmos que com isto só conjugamos o verbo matar
mesmo quando achamos que "falamos" de amor, de todas as formas
camufladas inimagináveis. Porque o ato do amor é inverbalizável, tem coração e
só pode ser exercido para ser verdadeiro e o resultado desse ato é por demais
evidente, não falha. Se não o fazemos em nosso dia a dia, em nossas rotinas,
não o sabemos, não adianta discursarmos da forma costumeira ou chamarmos por
ele; ele não virá porque sempre esteve presente, só que oculto debaixo de um
amontoado de erros e enganos causadores da miséria e do ódio.
Penso que diante de todo esse
quadro e outros não citados aqui, mas que sabemos existir fica claro que
estamos sofrendo de um vírus esperto e perigoso infiltrado em nosso ser. A cura
existe, é grátis, basta também querer exercê-la para que a verdade enfim
adentre essa nossa hipócrita civilidade humana, e o vírus que nos corre o ser se
desintegre de uma vez por todas. Se conseguirmos, a partir deste momento
honraremos o termo de "homens sábios", o planeta terá sido salvo e os
de além terra respirarão em paz, livre de nossa inconsequência, a miséria se
dispersará e a paz se concretizará. A verdade está nos advertindo o tempo todo,
não escuta quem não quer. Não se esqueçam: A verdade adverte! Sempre.
Poesia e Texto de MFrangelli
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